Apego
Ver-te sorrir e não ser o motivo,
Ver-te os lábios, ver-te os olhos.
Mero espectador que se assenta longe.
Distante, a falta de coragem, de sorte, de fé.
Quão bela estás, e fora outrora.
Quão tarde sou, estando fora.
A dor da lágrima que seca e não escorre,
Dor do peito que se abraça só.
Forte, tira o ar e cala a voz.
O segundo em que passa acompanhada e se vai;
Comigo o que eu tinha, agora cresce.
Cresce e ocupa o espaço de dois
Que um só não suporta dentro ao peito ficar
E foge ligeiro, não deixa rastro nem pista.
Sem querer que o encontrem.
Deixe-me amiga, como somos, até
o sol que nos ilumina apagar e morrer.
Até a brisa, em pó, nos mover
até o segundo que passou.
E foi tempo demais, pra curar minha dor.
Murilo Guarnieri
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